quinta-feira, 11 de março de 2010

DARIO III (336 – 330 a.C.) - PARTE I

O Último Aquemênida
Dario III (c. 380-330 a.C) foi o último rei do Império Aquemênida da Pérsia ao qual governou de 336 a 330 a.C. Foi sob seu reinado que o Império Persa foi conquistado por Alexandre, o Grande, rei da Macedônia. Abaixo, o ator Raz Degan interpreta Dario III no filme Alexandre (2004).
 São poucas as fontes orientais (textos, monumentos, etc.) sobre Dario III advindo as informações sobre sua vida e carreira dos autores clássicos principalmente quando escrevem sobre Alexandre, o Grande. As fontes babilônicas dão seu nome originário como Ar-ta-shá-a-ta/u (provavelmente derivado do antigo persa Artashiyāta, “feliz em Arta”). As fontes clássicas a partir de Justino dão seu nome antes da ascensão ao trono como Codomano; daí ele ser comumente referido como Dario III Codomano na literatura histórica. A imagem mais conhecida de Dario III nos foi transmitida no célebre Mosaico de Alexandre de Pompéia de cerca de 100 a.C.O pai de Artashiyāta/Dario era o príncipe Arsames que era filho do príncipe Ostanes, irmão do rei Artaxerxes II e filho do rei Dario II. Sua mãe era Sisigambis, filha de Artaxerxes II e irmã de Artaxerxes III. A esposa de Dario III foi Estatira que tinha fama de ser a mulher mais bela da Ásia. Segundo Juniano Justino ela era também sua irmã. Com Estatira, Dario III teve duas filhas, Estatira, que casou-se com Alexandre, o Grande, e Dripetis, que casou-se com o general macedônio Heféstion. Teve também um filho, Oco, que tinha seis anos quando foi capturado por Alexandre em 333. Parece ter tido uma filha de um casamento anterior cujo marido, Mitrídates, morreu lutando contra os gregos e um filho, Ariobarzanes, a quem Dario executou por traição. Abaixo, copo com rosto de mulher persa do período aquemênida.Antes de ser rei, Artashiyata destacara-se na campanha do rei Artaxerxes III contra os cadúsios. Talvez dessa campanha tenha recebido o apelido  de Codomano ("inclinado à guerra"). Tornou-se sátrapa da Armênia. Em algum tempo indeterminado Artashiyata foi provavelmente responsável pelo "serviço postal real", uma posição exaltada, talvez a mesmo que é atribuída ao grande Parnaka nos tabletes de Persépolis. Plutarco (Moralia 326F) chamou-o tanto de mensageiro (usando a palavra persa astandes) como de escravo (como em outras fontes); ele foi, portanto, um bandaka (servidor) do rei no serviço público. Após a ascensão de Arses, ele foi um dos "amigos" do rei na corte e pode ser nessa altura que ele tenha sido promovido de sua satrápia ao serviço postal. Todavia, ele pode de fato já ter sido elevado a essa posição Artaxerxes III Oco, talvez em cerca de 340, quando ele se casou com a princesa real Estatira. Esplendor da arte aquemênida: touro alado no palácio de Susa.

A Ascensão
Em 338 a.C. Artaxerxes III morreu, seja por assassinato (Diodoro Sículo) ou por causas naturais (tablete BM 71537). O vizir Bagoas, após eliminar os demais herdeiros, instalou o filho caçuça do rei, Arses, no trono como um rei fantoche, o qual adotou o nome real de Artaxerxes (IV). Segundo a versão clássica, quando Bagoas percebeu que Arses não poderia mais ser controlado, Bagoas também o assassinou (336 a.C.) instalando no trono a Codomano, o mensageiro real, que era aquemênida e destacado militar. A situação pode ser mais complexa do que nos legou a tradição clássica. Embora curto, o reinado de Artaxerxes IV Arses (338-336) assinala o declínio do Império Persa, não obstante os esforços de Artaxerxes III. Há indícios de rebeliões no Egito e na Babilônia e um crescente antagonismo dos greco-macedônios contra os persas. Possivelmente, a alta nobreza persa se ressentia de ver o comandante supremo do Império ser um jovem manipulado por um eunuco. Artashiyata, aquemênida, servidor real e destacado guerreiro desponta como uma opção mais viável para salvar o Império, principalmente quando em 336, Filipe II ordena a invasão da Ásia Menor pelas forças do general Parmênion. Segundo a Profecia Dinástica, Artashiyata marchou para Persépolis e tomou o trono, certamente respaldado por Bagoas e pela nobreza persa. Artashiyata, aos 46 anos, se tornou o Grande Rei e assumiu o nome de Darayavaush, isto é, Dario. Abaixo, reconstrução do palácio de Persépolis.

Um Império em Crise
Bagoas deve ter pensado que o recém-chegado poria sua confiança plena nele, mas Dario III rapidamente demonstrou sua independência em relação a Bagoas, o qual percebendo que também não poderia controlar o novo rei, buscou eliminá-lo. Bagoas tentou envenenar Dario, que advertido previamente, forçou Bagoas a beber o próprio veneno. Embora tenha suprimido as insurreições no Egito e na Babilônia, o novo rei encontrou-se no controle de um império instável, com províncias governadas por sátrapas ciumentos e não confiáveis e permeado por indivíduos descontentes e rebeldes, como Khabash no Egito. Não obstante sua carreira militar, Dario tinha uma clara falta de experiência para governar um império e uma prévia falta de ambição para o fazer. Segundo o historiador Hermann Bengtson (History of Greece from the Beginnings to the Byzantine Era, pg. 205), Dario foi um governante sem o talento e as qualidades necessárias que a administração de um vasto e complexo império como persa requeria, principalmente, durante esse período de crise. Abaixo, moeda de Dario III.

A Invasão Greco-Macedônica
Em 336 Filipe II da Macedônia foi autorizado pela Liga de Corinto como seu hegemon (comandante supremo) para iniciar uma guerra sagrada de vingança contra os persas por estes terem profanado e queimado os templos gregos durante a segunda invasão persa (480-479 a.C.) sob Xerxes I. Filipe enviou uma expedição militar para a Ásia Menor sob o comando de seus generais Parmênion e Átalo para "libertar" os gregos que viviam sob o domínio persa. Após eles terem tomado as cidades gregas da Ásia, de Tróia até o rio Meandro, Filipe foi assassinado e sua campanha foi suspensa enquanto seu jovem herdeiro, Alexandre III, consolidava seu controle sobre Macedônia e Grécia. Abaixo, relevo de sarcófago do IV século a.C. que retrata Alexandre Magno investindo contra guerreiros persas.

A Batalha do Grânico
Na primavera de 334, Alexandre III, mais conhecido como Alexandre, o Grande, ou Alexandre Magno, após ter sido confirmado como hegemon pela Liga de Corinto, invadiu a Ásia Menor, à frente de um exército combinado de gregos e macedônios. Esta invasão, que marcou o início das conquistas de Alexandre Magno, foi seguida pela vitória de Alexandre sobre os persas na Batalha do Grânico (rio próximo à antiga Tróia). As tropas persas eram lideradas pelos sátrapas da Ásia Menor Espitridates e Mitrídates, genro de Dario, e ainda contava com a ajuda de mercenários gregos sob a liderança de Mêmnon de Rodes. Abaixo, cavalaria persa.

 Espitridates quase matou Alexandre, mas teve o braço decepado por Clito, militar do rei macedônio, quando ia fazê-lo. Alexandre matou pessoalmente a Mitrídates. Dario não apareceu na batalha, até porque não havia nenhuma razão para supor que Alexandre pretendesse conquistar toda a Ásia, e Dario pode muito bem ter suposto que os príncipes das satrápias da Ásia Menor poderiam lidar com a crise. Sendo assim, ele decidiu permanecer em casa em Persépolis e deixar seus sátrapas lidar com isso. Os efeitos imediatos da batalha foram o livramento das cidades gregas na Jônia e na Ásia Menor e o estabelecimento de uma cabeça de ponte para futuras campanhas contra o Império Persa. Também permitiu a captura de recursos persas nas fortalezas existentes no norte da Ásia Menor, fortalecendo o abastecimento dos gregos. Abaixo, ilustração da batalha de Granico a partir de tapeçaria de Charles Le Brun.


A Batalha de Isso
O exército de Alexandre continuou sua marcha na Ásia e Dario teve que intervir. Um ano e meio depois da batalha de Granico ocorreu a Batalha de Isso (333 a.C.), cidade costeira da Cilícia. Durante 334-33 Dario reuniu um exército com uma velocidade sem precedentes, e em outubro de 333, ele estava atravessando as montanhas Taurus e através de uma falha na estratégia de Alexandre, Dario foi capaz de aparecer na sua retaguarda. Mas ele não tinha experiência de comando principal e, persuadido por seus conselheiros de que a vitória era certa, ele enfrentou Alexandre na planície costeira de Isso, onde a superior cavalaria persa não poderia ser mobilizada para envolver o inimigo. Abaixo, o célebre mosaico de Pompéia que retrata o episódio emblemático batalha de Isso: a retirada de Dario e sua perseguição por Alexandre. O impetuoso avanço de Alexandre até Dario decidiu o problema. Conforme a infantaria da ala direita atacava o flanco dos mercenários gregos, e por trás deles Alexandre e a Guarda de Cavalaria abriam caminho até Dario, o rei virava seu carro e fugia seguido por sua Guarda de Cavalaria. Alexandre correu em direção à ala esquerda, onde a cavalaria persa se encontrou com a rota do general. Então Alexandre ordenou a perseguição por sua cavalaria, que cobriu uma distância de 37 quilômetros até o cair da noite e infligiu perdas muito pesadas à cavalaria persa. Dario conseguiu escapar antes da batalha acabar e os historiadores gregos foram rápidos em acusá-lo de covardia, embora bravura seja sua melhor qualidade certificada. É mais provável que ele tenha compreendido que a única chance de salvar o reino estava em salvar a si mesmo; se ele tivesse morrido, não havia sucessor plausível que poderia comandar legitimamente e conduzir a resistência à invasão. Abaixo, a investida de Alexandre e a fuga de Dario por André Castagne. No caminho, ele deixou para trás seu carro, seu arco, e seu manto real, todos os quais foram posteriormente recolhidos por Alexandre. Mas na pressa de sua retirada Dario deixou para trás sua mãe, esposa e filhas, as quais Alexandre tratou magnanimamente reconhecendo a dignidade real da família de Dario, embora de fato, fossem reféns. As perdas do exército de Alexandre foram pequenas enquanto que o exército persa teve pesadas baixas. Houve uma considerável debandada das forças derrotadas. Um grande grupo, liderado por oficiais persas, escapou para a Ásia Menor, onde recrutou algumas tropas capadócias e paflagônias e invadiu a Lídia. O governador macedônio da Frígia, Antigono Monoftalmo, derrotou os persas em três batalhas. Outro grupo, que incluía 4 mil mercenários gregos e era comandado pelo desertor macedônio Amintas, filho de Antíoco, fugiu em direção ao sul para Trípoli, de onde navegou para Chipre e depois para o Egito. Ali, Amintas alegou ser o novo sátrapa nomeado por Dario. Seus mercenários derrotaram a guarnição persa de Mênfis, mas foram aniquilados quando se dispersaram em uma farra de pilhagem. Um terceiro grupo de 8 mil mercenários gregos acabou chegando a Tenaro, no Peloponeso. Abaixo, ilustração de André Castaigne de Alexandre e seus homens encontrando a tenda de Dario III: nela estavam sua esposa, mãe e filhos.

Negociações
Capturar a cidade de Susa, a capital do Império Persa mais próxima, e perseguir Dario antes que ele tivesse uma chance de recrutar outro exército imperial parecia ser a ação mais certa após a grande vitória em Isso. Mas Alexandre persistiu na estratégia de dominar a frota persa a partir da terra e de controlar a costa do Mediterrâneo, embora isso fosse dar a Dario a oportunidade de recrutar um exército imperial ainda maior. Com sua família retida por Alexandre, Dario foi dissuadido de tentar um contra-ataque imediato. Enquanto os aliados da Pérsia confiaram que o rei persa ia revidar imediatamente. A cidade de Tiro suportou por quase um ano o assédio de Alexandre sendo posteriormente arrasada. Os judeus ainda que declarassem sua lealdade ao Grande Rei, reconheceram em Alexandre o rei predito pelo profeta Daniel que derrotaria o Império Persa. Abaixo, ilustração do assédio marítimo de Tiro pela frota macedônica.Nesse ínterim, Dario iniciou as negociações para um acordo. Após trocas de acusações entre os dois monarcas, Dario, ciente do poder greco-macedônico, fez concessões inconcebíveis para seus antecessores. Foi oferecida a cessão de grandes territórios no Ocidente e o reconhecimento de Alexandre como um igual. Além disso, Dario ofereceu um grande resgate para a família e uma aliança de casamento para selar o acordo. Mas, Alexandre rejeitou o acordo. Logo que a paz fosse selada e os reféns libertados, ele teria que voltar para casa deixando guarnições para proteger uma longa fronteira; Dario estaria, então, livre para atacar em um momento oportuno. Alexandre rejeitou todos os termos e exigiu que Dario lhe prestasse homenagem como seu superior. Desde a vitória em Isso, o conquistador macedônio usava o título de Grande Rei. Dario, portanto, não tinha escolha a não ser lutar.

REFERÊNCIAS
http://www.iranica.com/newsite/
http://en.wikipedia.org/wiki/Dario_III_of_Persia
http://cais-soas.com
http://www.livius.org/da-dd/darius/darius_iii_codomannus.html

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