sábado, 16 de janeiro de 2010

DARIO I, O GRANDE (522 – 486 a.C.) – PARTE IV

Dario foi um proeminente líder e organizador do Império. Dario colocou o império em bases que duraram quase dois séculos e influenciou a organização dos impérios subsequentes, incluindo os impérios o dos Selêucidas e dos romanos. Ele revisou o sistema administrativo persa e seu código legal. Suas revisões do código legal persa estavam ligadas às leis de testemunhos, ao comércio de escravos, depósitos, subornos e violações. Ele também introduziu melhorias no serviço militar durante as campanhas subsequentes, incluindo o serviço militar obrigatório, o pagamento aos guerreiros, treinamento militar e outras mudanças no exército e na marinha persa.  Possivelmente o aspecto civil mais proeminente de seu reinado foi a reorganização administrativa do Império que o nivelou a seu antecessor Ciro II, o Grande.
Esfinge de Dario no palácio de Susa no Elão

O Exército
Dario criou no Império Persa um exército verdadeiramente profissional. Seus predecessores, contavam com contingentes regionais, especialmente cavalaria, aparentemente recrutados quando surgia a necessidade. Dario colocou sua confiança principalmente no iranianos, incluindo medos, citas, bactrianos, e outros povos aparentados, mas acima de tudo os persas. A partir daí o sustentáculo do exército imperial era uma força de infantaria de 10.000 soldados persas cuidadosamente escolhidos, conhecidos como os Imortais, que defenderam o império até seu último dia.
Cavaleiro persa do período aquemênida
Guardas reais aqumênidas

A Administração das Satrápias
A nova organização das satrápias (províncias) e da fixação de impostos, foi descrita por Heródoto (3. 90), que aparentemente tinha boas fontes. Dario dividiu o Império Persa em vinte províncias, cada uma sob a supervisão de um governador ou sátrapa. Esta posição foi geralmente hereditária e com uma autonomia ampla permitindo que cada província mantivesse suas próprias leis, tradições e classes dirigentes. No entanto, cada região era responsável por um determinado tributo ao Rei em ouro ou prata, algo que algumas províncias reconheceram ao longo do tempo, como foi o caso da Babilônia. 
O Império Persa sob Dario I
Cada província tinha também um administrador financeiro e um coordenador militar independentes, além do sátrapa, que controlava a administração geral e o cumprimento das leis. Estes três cargos respondiam diretamente perante o Rei, que com esta medida evitava a concentração de poder em cada satrápia nas mãos de uma pessoa, reduzindo assim também as chances de deslealdade e de revolta. Os sátrapas eram fiscalizados por funcionários de inteira confiança chamados de "olhos e ouvidos do rei". Dario, também aumentou a burocracia do Império aumentando do número de escribas que registravam as tarefas administrativas de cada província. Não obstante o controle real, os sátrapas eram muito poderosos e temidos pelas populações locais. 
Sátrapa recebendo um visitante em Xantos na Lícia.

Os Palácios
Durante o reinado de Dario iniciaram-se muitos projetos de construção sendo a mais proeminente a construção de uma nova capital para o Império, a cidade de Parsa, mais conhecida como Persépolis (atual localidade de Takht-e Jamshid), a cidade dos persas, em detrimento da antiga capital de Ciro, Pasárgada, que estava intimamente associado com os reis anteriores, algo que, ao que tudo indica, Dario queria evitar. A nova capital tinha paredes de 20 metros de altura e 11 metros de espessura tornando-se uma importante obra de engenharia arquitetônica. Além disso, o futuro túmulo de Dario foi esculpido em uma parede de pedra não muito longe da cidade.  Abaixo reconstituição gráfica e ruínas do palácio de Dario I em Persépolis.


Abaixo, reconstituição e ruínas do palácio de Dario I em Susa



Abaixo, ilustração da apadana (sala de audiências) de Susa onde o Grande Rei recebia os representantes e tributos de todos os povos do Império Persa.


As Construções
Outro projeto de Dario foi a abertura de um canal que ligava o delta do rio Nilo ao Mar Vermelho, um percurso que, como evidenciado por fragmentos de um texto hieroglífico recuperado, permitia aos navios persas usados para navegarem do Nilo até a Pérsia ao longo do Mar Vermelho para o sul e ao redor da Península Arábica e do reino de Sabá antes de se dirigir para o Golfo Pérsico e Susa. Abaixo, o canal de Dario I no Egito.
Dario também encomendou a criação de uma extensa rede de estradas que atravessam todo o Império, destacando-se a Estrada Real que desde de Sardes atravessava a Anatólia, a Síria e a Mesopotâmia até chegar em Susa, e daí, para Persépolis, como mencionado nos tabletes de Persépolis. Esse caminho foi largamente usado para mensagens de correio e tinha postos de descanso, pousadas e guarnições militares, evitando assim o risco representado pelos bandidos. Abaixo, a Estrada Real entre Sardes na Lídia e Susa no Elão.
Dario também é lembrado pela impressionante inscrição de Behistun que foi esculpida na encosta de um penhasco perto da cidade de Behistun, que nos informa sobre como Dario ascendeu ao trono e mostra-o, sob a proteção de Ahura Mazda, derrotadno seus inimigos, o sucesso de sua ascensão ao trono e onde Dario argumenta sobre a sua legitimidade como rei do Império Aquemênida.

Administração Econômica
Dario é frequentemente considerado como um grande administrador financiador: estabeleceu um padrão monetário com a introdução do dárico (dârayaka) de ouro e fomentou o desenvolvimento do comércio através de expedições para abrir novos mercados e rotas. Abaixo, dárico de ouro de cerca de 490 a.C.

É muito provável que a Pérsia chegou a manter contato com Cartago (cf. o termo Karka na inscrição de Nakshi Rustam) com a Sicília e a Itália. Seu reinado foi marcado também pelo crescimento da população e ao desenvolvimento do artesanato nas cidades. Pesos e medidas foram padronizados (como o cúbito real ou medida do rei), mas tendem a coexistir com as unidades tradicionais egípcias e babilônicas, o que incentivou o comércio, pois nunca existiu antes um mercado tão amplo como foi o Império Persa. Melhorias na rede de comunicações e da reorganização administrativa vão ajudar a angariar ao Império Aquemênida uma aparente unidade comercial com base na geração de riqueza. Abaixo relevo de Persépolis mostrando indianos trazendo tributos (inclusive ouro) a Dario I.

Administração Social
Amuleto egípcio com o
nome de Dario
Ao que tudo indica, Dario procurava obter o bem-estar das nações súditas do Império e com esta finalidade promoveu a ajuda de suas diferentes castas sacerdotais. Os judeus tiveram permissão para reconstruir o templo de Jerusalém, enquanto no Egito Dario é mencionado em vários templos construídos em Mênfis, Edfu e no Grande Oásis. Convocou Tzahor, o sumo sacerdote de Sais no Egito, até Susa (conforme a inscrição do Museu Vaticano) dando-lhe poderes para reorganizar a Casa da Vida, a grande instituição médica do templo de Sais. Nas tradições egípcias, ele é mencionado como um dos grandes benfeitores e legisladores do país. Também ajudou os santuários gregos como indica a carta de Dario a Godatas, inspector do parque real perto de Magnésia, onde isenta de impostos e trabalhos forçados o santuário de Apolo, de modo que todos os oráculos gregos na Ásia Menor e na Europa controlada pelos persas mantiveram-se ao seu lado durante as guerras entre gregos e persas (conhecidas como Guerras Médicas) desencorajando qualquer tentativa de resistência por parte dos povos helênicos. No aspecto religioso, Dario aparece em todas as suas inscrições como um crente fervoroso no zoroastrismo, a religião oficial monoteísta (ou melhor, henoteísta) na qual Ahura Mazda (imagem abaixo) é o único deus mencionado nas ditas inscrições.
Tal como outros reis persas, continuou a política de arrefecimento da escravidão, de modo que, por exemplo, todos os trabalhadores que trabalhavam em Persépolis e em outros lugares eram pagos, uma idéia revolucionária na época. Este modus operandi era muito comum em seus antecessores e os reis persas posteriores. Ao morrer, Dario deixou um império com uma população de cerca de 35 milhões de pessoas com mais de 70 grupos étnicos distintos, estendido por cerca de 2.600 km do rio Indo, ao leste, do mar Egeu, a oeste, e 2.300 milhas da Armênia, ao norte até a primeira catarata do Nilo, no sul. Para distingui-lo dos demais Darios que o sucederam (II e III), não é sem razão que a posteridade o chamou de Dario, o Grande. Estudos mais completos sobre esse notável rei persa você pode encontrar no artigo Darius, The Great de A. Shapur Shabazi (http://www.cais-soas.com/CAIS/History/hakhamaneshian/darius_great.htm) e na série de artigos sobre Dario, o Grande, no site de História Antiga Livius (http://www.livius.org/da-dd/darius/darius_i_1.html).


REFERÊNCIAS
http://www.livius.org/da-dd/darius/darius_i_7.html
http://es.wikipedia.org/wiki/Dar%C3%ADo_I
http://commons.wikimedia.org
http://www.cais-soas.com/CAIS/Images2/Military/achaemenid_cavalary.png
http://www.cais-soas.com/CAIS/History/hakhamaneshian/darius_great.htm
http://www.persepolis3d.com/data_gate_of_all_nations/gate_of_all_nations_09.htm

2 comentários:

  1. muito boa a materia , estava a procura de imagens que me deem uma noção do palacio nos tempos de xerxes e encontei muito bom o post muito construtivo , amei e que deus continue dando sabedoria a pessoas como você !

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    1. Obrigado Carla por tuas palavras incentivadoras. fico feliz de ter contribuído.

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