sábado, 13 de março de 2010

DARIO III (336 – 330 a.C.) - PARTE II

A Batalha de Gaugamela
Após a conquista de Tiro, Alexandre submeteu toda a Palestina e conquistou o Egito (332 a.C.) onde foi saudado como libertador e proclamado faraó. Apesar de sua frutífera estada no Egito, o conquistador macedônio se preparava para seu objetivo principal: conquistar o Império Persa. Abaixo o ator Raz Degan interpretando o rei Dario III no filme  Alexandre de Oliver Stone.
Dario tinha ainda alguns mercenários gregos para compor sua força de infantaria, mas ele decidiu melhorar o equipamento das suas forças nativas: recrutou os ferozes homens das tribos nômades da Bactriana e da Sogdiana. Sua cavalaria era muito superior e tinha dois elefantes (que o inimigo nunca tinha visto) e os temíveis carros-foice como os usados por Ciro, o Jovem, na batalha de Cunaxa (401 a.C.). Segundo os historiadores modernos Dario III conseguiu arregimentar cerca de 200.000 homens de infantaria e 40.000 na cavalaria. Além disso, desta vez ele estaria lutando em seu próprio terreno. Abaixo, ilustração de Alexandre Magno oferecendo sacrifícios antes de enfrentar Dario III na famosa batalha de Gaugamela.

Dario estava aguardando Alexandre na Mesopotâmia, ao noroeste da Babilônia, e esperava que o exército invasor sofresse prejuízos com a travessia do deserto e do rio Eufrates. Mas Alexandre, quer por acaso ou previamente avisado, viajou mais para o norte para evitar o calor extremo cruzando os rios Eufrates e Tigre. O Grande Rei mudou novamente suas tropas para um segundo campo de batalha; mas Alexandre de novo se desviou. Dario, assim, tinha que encontrar um terreno adequado a leste do rio Tigre, ele tomou posição perto da aldeia de Gaugamela, ao norte da cidade Arbela. A planície era grande o suficiente para a sua cavalaria, mas ele teve ainda que nivelar o terreno a fim de permitir a plena utilização dos carros bélicos. Abaixo, localização de Gaugamela.

Alexandre, que contava com um contingente de 40.000 homens de infantaria e 7.000 na cavalaria, subiu lentamente, permitindo aos seus homens descansar enquanto Dario e seu exército mantinham-se em alerta. Dario ofereceu nova proposta de acordo: ofereceu novamente o território ocidental do Império (do que Alexandre riu visto que já dominava esta parte), aumentou o resgate de sua família para 30.000 talentos e como garantia oferecia seu filho Oco como refém permanente. Alexandre, embora aconselhado por seus generais a aceitar a oferta, permaneceu firme no seu propósito de capturar Dario e por fim conquistar o Império Persa. Abaixo, cena do filme Alexandre (2004) que retrata o conquistador macedônio e seu exército numericamente inferior diante do multidão do exército de Dario III.Um ataque noturno dos disciplinados macedônios teria esmagado as forças persas. Dario, ciente disso, manteve os seus homens em armas durante toda a noite, enquanto Alexandre permitiu aos seus soldados descansar, depois atacaram ao amanhecer em 1º de outubro 331. As tropas persas excediam as greco-macedônicas em 5 x 1. Abaixo, outra cena de Alexandre: o gigantesco exército persa.Do lado persa destacava-se Besso, sátrapa da Bactriana e guerreiro notável, comandante da ala esquerda. Mas, como em Cunaxa, os carros-foice foram inúteis contra as forças disciplinadas, e, apesar de seu equipamento melhorado, Dario nada tinha para enfrentar à altura da terrível falange grega. Abaixo, ilustração de Castagne sobre os terríveis carros-foice do exército de DarioAlexandre manteve constantemente as alas esquerdas e direita do exército persa ocupadas o que fez que as tropas do centro do exército de Dario fosse arrastadas para a luta até que se abriu uma brecha na linha de defesa do rei. Alexandre avançou com sua companhia em direção a Dario. Besso, mal podendo manter sua ala, não teve como ajudar Dario. Percebendo que a batalha estava perdida, retirou-se com suas tropas bactrianas para salvar-se. A ala direita também sofria prejuízos; diante de tal situação e vendo que a falange macedônia vinha com toda força a sua frente, Dario bateu em retirada seguido pela ala direita. Alexandre continuou perseguindo a Dario até depois da meia-noite; mas o Grande Rei estava em boa vantagem e conseguiu evitar a captura. Porém, Alexandre conseguiu capturar o carro, o arco e a fortuna pessoal de Dario (4.000 talentos em moedas de ouro). O grande exército persa, formado por contingentes de vários povos, fora esmagado. Dario, em seguida, fugiu para Ecbátana, antiga capital da Média e atual Hamadan no Irã e tentava levantar um terceiro exército, enquanto Alexandre se volta para a Mesopotâmia para consolidar seus domínios.
Dario III e soldados persas

O Império Persa perde suas capitais
Alexandre dirige-se para a Babilônia, capital de antigos impérios e considerada a "alma do Oriente". O governador da cidade, Mazeu, que chegara a lutar contra o Macedônio em Gaugamela, apresentou sua rendição. Era o testemunho de que os persas já começavam a aceitar que seu império estava mudando de senhor. Os babilônios, assim como fizeram com Ciro, o Grande, receberam Alexandre como seu libertador. Desde de Xerxes I (486 - 465 a.C.), que destruíra seus principais templos, os babilônios se ressentiam do governo persa. Abaixo, ilustração de Le Brun sobre a entrada triunfal de Alexandre na Babilônia.Após cinco semanas na Babilônia, os macedônios marcharam novamente (23 de novembro). Com a chegada de reforços, estava tudo pronto para o ataque final sobre as quatro capitais do Império Aquemênida: Susa, Persépolis, Pasárgada e Ecbatana. O exército chegou a Susa, capital administrativa do Império, em dezembro. O comandante da guarnição persa, Abulites , entregou a cidade e seus tesouros, sendo imediatamente reconduzido como sátrapa da região, que foi chamada Susiana pelos gregos e é mais conhecido por nós como Elam (ou Elão). Um tesouro de cerca de 50.000 talentos ficou a disposição de Alexandre. A maior parte desse tesouro era advinda dos saques que Xerxes I havia feito durante sua invasão à Grécia. Abaixo, ruínas do palácio de Susa.Após organizar a província, Alexandre e seus homens marcharam para Persépolis, capital nacional do Império Aquemênida. Persépolis abrigava o palácio real e o tesouro dos persas. Esta cidade não foi tomada facilmente como Babilônia e Susa: para conquistá-la os greco-macedônios tiveram atravessar uma estreita passagem nas montanhas conhecida como Portões da Pérsia. Aí encontraram forte resistência dos últimos efetivos do exército de Dario III liderados pelo sátrapa Ariobarzanes. Muitos persas foram massacrados. Ariobarzanes conseguiu escapar, mas quando chegou em Persépolis foi negada sua entrada na cidade. O comandante da guarnição da cidade já sabia do resultado da batalha e estava convencido de que Alexandre não poderia ser derrotado. O sátrapa provavelmente foi morto pelos macedônios. Alexandre entrou em Persépolis em um dos últimos dias de janeiro de 330. Muitos habitantes já haviam fugido e houve até alguns que se suicidaram. Ele designou um homem chamado Frasaortes como sucessor de Ariobarzanes. Em Persépolis Alexandre se apoderou do tesouro real (120.000 talentos) e permitiu a seus homens saquearem a cidade, o que não acontecera em Babilônia e Susa. Depois do saque, Alexandre ordenou que se incendiasse o palácio de Xerxes I, o coração da realeza aquemênida. Os historiadores apontam que a ordem de Alexandre visava, além da vingança contra o que os persas fizeram na Grécia, destruir o símbolo da realeza de Dario III e, consequentemente, assinalar o fim do Império Aquemênida. Abaixo, ruínas do palácio de Xerxes em Persépolis e sua reconstituição ilustrativa.
Quase ao mesmo tempo, foi capturada Pasárgada, a primeira capital aquemênida e centro religioso da Pérsia. Na cidade, Alexandre visitou o túmulo de Ciro, o Grande, fundador do Império Persa. A intenção era política: os reis aquemênidas eram coroados próximo ao túmulo de Ciro. Ele queria dizer assim que era o novo rei dos persas. Abaixo, ruínas do palácio de Pasárgada.
Os macedônios e gregos tinham alcançado o principal objetivo de sua cruzada: os persas foram punidos pela destruição de Atenas em 480/479 aC . Mas Alexandre queria mais: ser o novo Rei dos Reis do mundo oriental. Ele permaneceu em Persépolis por mais de quatro meses e buscou atrair a aristrocacia persa para o reconhecimento dele como o novo Grande Rei. Mas, isso só foi feito praticamente pelos nobres persas que já tinham sido nomeados por ele para altos cargos. Enquanto Dario III ainda estivesse vivo, Alexandre seria meramente um poderoso usurpador. O Macedônio teria que recomeçar sua caçada a Dario.

REFERÊNCIAS
http://www.iranica.com/newsite/
http://en.wikipedia.org/wiki/Dario_III_of_Persia
http://cais-soas.com
http://www.boisestate.edu/courses/westciv/alexander/09.shtml
http://www.alexanderstomb.com/main/index.html
http://www.livius.org/aj-al/alexander/alexander09.html
http://iranpoliticsclub.net/history/civilization-persia1/images/Persian%20Immortals%20Darius%20III,%20Spear%20Bearer,%20Immortal.jpg

quinta-feira, 11 de março de 2010

DARIO III (336 – 330 a.C.) - PARTE I

O Último Aquemênida
Dario III (c. 380-330 a.C) foi o último rei do Império Aquemênida da Pérsia ao qual governou de 336 a 330 a.C. Foi sob seu reinado que o Império Persa foi conquistado por Alexandre, o Grande, rei da Macedônia. Abaixo, o ator Raz Degan interpreta Dario III no filme Alexandre (2004).
 São poucas as fontes orientais (textos, monumentos, etc.) sobre Dario III advindo as informações sobre sua vida e carreira dos autores clássicos principalmente quando escrevem sobre Alexandre, o Grande. As fontes babilônicas dão seu nome originário como Ar-ta-shá-a-ta/u (provavelmente derivado do antigo persa Artashiyāta, “feliz em Arta”). As fontes clássicas a partir de Justino dão seu nome antes da ascensão ao trono como Codomano; daí ele ser comumente referido como Dario III Codomano na literatura histórica. A imagem mais conhecida de Dario III nos foi transmitida no célebre Mosaico de Alexandre de Pompéia de cerca de 100 a.C.O pai de Artashiyāta/Dario era o príncipe Arsames que era filho do príncipe Ostanes, irmão do rei Artaxerxes II e filho do rei Dario II. Sua mãe era Sisigambis, filha de Artaxerxes II e irmã de Artaxerxes III. A esposa de Dario III foi Estatira que tinha fama de ser a mulher mais bela da Ásia. Segundo Juniano Justino ela era também sua irmã. Com Estatira, Dario III teve duas filhas, Estatira, que casou-se com Alexandre, o Grande, e Dripetis, que casou-se com o general macedônio Heféstion. Teve também um filho, Oco, que tinha seis anos quando foi capturado por Alexandre em 333. Parece ter tido uma filha de um casamento anterior cujo marido, Mitrídates, morreu lutando contra os gregos e um filho, Ariobarzanes, a quem Dario executou por traição. Abaixo, copo com rosto de mulher persa do período aquemênida.Antes de ser rei, Artashiyata destacara-se na campanha do rei Artaxerxes III contra os cadúsios. Talvez dessa campanha tenha recebido o apelido  de Codomano ("inclinado à guerra"). Tornou-se sátrapa da Armênia. Em algum tempo indeterminado Artashiyata foi provavelmente responsável pelo "serviço postal real", uma posição exaltada, talvez a mesmo que é atribuída ao grande Parnaka nos tabletes de Persépolis. Plutarco (Moralia 326F) chamou-o tanto de mensageiro (usando a palavra persa astandes) como de escravo (como em outras fontes); ele foi, portanto, um bandaka (servidor) do rei no serviço público. Após a ascensão de Arses, ele foi um dos "amigos" do rei na corte e pode ser nessa altura que ele tenha sido promovido de sua satrápia ao serviço postal. Todavia, ele pode de fato já ter sido elevado a essa posição Artaxerxes III Oco, talvez em cerca de 340, quando ele se casou com a princesa real Estatira. Esplendor da arte aquemênida: touro alado no palácio de Susa.

A Ascensão
Em 338 a.C. Artaxerxes III morreu, seja por assassinato (Diodoro Sículo) ou por causas naturais (tablete BM 71537). O vizir Bagoas, após eliminar os demais herdeiros, instalou o filho caçuça do rei, Arses, no trono como um rei fantoche, o qual adotou o nome real de Artaxerxes (IV). Segundo a versão clássica, quando Bagoas percebeu que Arses não poderia mais ser controlado, Bagoas também o assassinou (336 a.C.) instalando no trono a Codomano, o mensageiro real, que era aquemênida e destacado militar. A situação pode ser mais complexa do que nos legou a tradição clássica. Embora curto, o reinado de Artaxerxes IV Arses (338-336) assinala o declínio do Império Persa, não obstante os esforços de Artaxerxes III. Há indícios de rebeliões no Egito e na Babilônia e um crescente antagonismo dos greco-macedônios contra os persas. Possivelmente, a alta nobreza persa se ressentia de ver o comandante supremo do Império ser um jovem manipulado por um eunuco. Artashiyata, aquemênida, servidor real e destacado guerreiro desponta como uma opção mais viável para salvar o Império, principalmente quando em 336, Filipe II ordena a invasão da Ásia Menor pelas forças do general Parmênion. Segundo a Profecia Dinástica, Artashiyata marchou para Persépolis e tomou o trono, certamente respaldado por Bagoas e pela nobreza persa. Artashiyata, aos 46 anos, se tornou o Grande Rei e assumiu o nome de Darayavaush, isto é, Dario. Abaixo, reconstrução do palácio de Persépolis.

Um Império em Crise
Bagoas deve ter pensado que o recém-chegado poria sua confiança plena nele, mas Dario III rapidamente demonstrou sua independência em relação a Bagoas, o qual percebendo que também não poderia controlar o novo rei, buscou eliminá-lo. Bagoas tentou envenenar Dario, que advertido previamente, forçou Bagoas a beber o próprio veneno. Embora tenha suprimido as insurreições no Egito e na Babilônia, o novo rei encontrou-se no controle de um império instável, com províncias governadas por sátrapas ciumentos e não confiáveis e permeado por indivíduos descontentes e rebeldes, como Khabash no Egito. Não obstante sua carreira militar, Dario tinha uma clara falta de experiência para governar um império e uma prévia falta de ambição para o fazer. Segundo o historiador Hermann Bengtson (History of Greece from the Beginnings to the Byzantine Era, pg. 205), Dario foi um governante sem o talento e as qualidades necessárias que a administração de um vasto e complexo império como persa requeria, principalmente, durante esse período de crise. Abaixo, moeda de Dario III.

A Invasão Greco-Macedônica
Em 336 Filipe II da Macedônia foi autorizado pela Liga de Corinto como seu hegemon (comandante supremo) para iniciar uma guerra sagrada de vingança contra os persas por estes terem profanado e queimado os templos gregos durante a segunda invasão persa (480-479 a.C.) sob Xerxes I. Filipe enviou uma expedição militar para a Ásia Menor sob o comando de seus generais Parmênion e Átalo para "libertar" os gregos que viviam sob o domínio persa. Após eles terem tomado as cidades gregas da Ásia, de Tróia até o rio Meandro, Filipe foi assassinado e sua campanha foi suspensa enquanto seu jovem herdeiro, Alexandre III, consolidava seu controle sobre Macedônia e Grécia. Abaixo, relevo de sarcófago do IV século a.C. que retrata Alexandre Magno investindo contra guerreiros persas.

A Batalha do Grânico
Na primavera de 334, Alexandre III, mais conhecido como Alexandre, o Grande, ou Alexandre Magno, após ter sido confirmado como hegemon pela Liga de Corinto, invadiu a Ásia Menor, à frente de um exército combinado de gregos e macedônios. Esta invasão, que marcou o início das conquistas de Alexandre Magno, foi seguida pela vitória de Alexandre sobre os persas na Batalha do Grânico (rio próximo à antiga Tróia). As tropas persas eram lideradas pelos sátrapas da Ásia Menor Espitridates e Mitrídates, genro de Dario, e ainda contava com a ajuda de mercenários gregos sob a liderança de Mêmnon de Rodes. Abaixo, cavalaria persa.

 Espitridates quase matou Alexandre, mas teve o braço decepado por Clito, militar do rei macedônio, quando ia fazê-lo. Alexandre matou pessoalmente a Mitrídates. Dario não apareceu na batalha, até porque não havia nenhuma razão para supor que Alexandre pretendesse conquistar toda a Ásia, e Dario pode muito bem ter suposto que os príncipes das satrápias da Ásia Menor poderiam lidar com a crise. Sendo assim, ele decidiu permanecer em casa em Persépolis e deixar seus sátrapas lidar com isso. Os efeitos imediatos da batalha foram o livramento das cidades gregas na Jônia e na Ásia Menor e o estabelecimento de uma cabeça de ponte para futuras campanhas contra o Império Persa. Também permitiu a captura de recursos persas nas fortalezas existentes no norte da Ásia Menor, fortalecendo o abastecimento dos gregos. Abaixo, ilustração da batalha de Granico a partir de tapeçaria de Charles Le Brun.


A Batalha de Isso
O exército de Alexandre continuou sua marcha na Ásia e Dario teve que intervir. Um ano e meio depois da batalha de Granico ocorreu a Batalha de Isso (333 a.C.), cidade costeira da Cilícia. Durante 334-33 Dario reuniu um exército com uma velocidade sem precedentes, e em outubro de 333, ele estava atravessando as montanhas Taurus e através de uma falha na estratégia de Alexandre, Dario foi capaz de aparecer na sua retaguarda. Mas ele não tinha experiência de comando principal e, persuadido por seus conselheiros de que a vitória era certa, ele enfrentou Alexandre na planície costeira de Isso, onde a superior cavalaria persa não poderia ser mobilizada para envolver o inimigo. Abaixo, o célebre mosaico de Pompéia que retrata o episódio emblemático batalha de Isso: a retirada de Dario e sua perseguição por Alexandre. O impetuoso avanço de Alexandre até Dario decidiu o problema. Conforme a infantaria da ala direita atacava o flanco dos mercenários gregos, e por trás deles Alexandre e a Guarda de Cavalaria abriam caminho até Dario, o rei virava seu carro e fugia seguido por sua Guarda de Cavalaria. Alexandre correu em direção à ala esquerda, onde a cavalaria persa se encontrou com a rota do general. Então Alexandre ordenou a perseguição por sua cavalaria, que cobriu uma distância de 37 quilômetros até o cair da noite e infligiu perdas muito pesadas à cavalaria persa. Dario conseguiu escapar antes da batalha acabar e os historiadores gregos foram rápidos em acusá-lo de covardia, embora bravura seja sua melhor qualidade certificada. É mais provável que ele tenha compreendido que a única chance de salvar o reino estava em salvar a si mesmo; se ele tivesse morrido, não havia sucessor plausível que poderia comandar legitimamente e conduzir a resistência à invasão. Abaixo, a investida de Alexandre e a fuga de Dario por André Castagne. No caminho, ele deixou para trás seu carro, seu arco, e seu manto real, todos os quais foram posteriormente recolhidos por Alexandre. Mas na pressa de sua retirada Dario deixou para trás sua mãe, esposa e filhas, as quais Alexandre tratou magnanimamente reconhecendo a dignidade real da família de Dario, embora de fato, fossem reféns. As perdas do exército de Alexandre foram pequenas enquanto que o exército persa teve pesadas baixas. Houve uma considerável debandada das forças derrotadas. Um grande grupo, liderado por oficiais persas, escapou para a Ásia Menor, onde recrutou algumas tropas capadócias e paflagônias e invadiu a Lídia. O governador macedônio da Frígia, Antigono Monoftalmo, derrotou os persas em três batalhas. Outro grupo, que incluía 4 mil mercenários gregos e era comandado pelo desertor macedônio Amintas, filho de Antíoco, fugiu em direção ao sul para Trípoli, de onde navegou para Chipre e depois para o Egito. Ali, Amintas alegou ser o novo sátrapa nomeado por Dario. Seus mercenários derrotaram a guarnição persa de Mênfis, mas foram aniquilados quando se dispersaram em uma farra de pilhagem. Um terceiro grupo de 8 mil mercenários gregos acabou chegando a Tenaro, no Peloponeso. Abaixo, ilustração de André Castaigne de Alexandre e seus homens encontrando a tenda de Dario III: nela estavam sua esposa, mãe e filhos.

Negociações
Capturar a cidade de Susa, a capital do Império Persa mais próxima, e perseguir Dario antes que ele tivesse uma chance de recrutar outro exército imperial parecia ser a ação mais certa após a grande vitória em Isso. Mas Alexandre persistiu na estratégia de dominar a frota persa a partir da terra e de controlar a costa do Mediterrâneo, embora isso fosse dar a Dario a oportunidade de recrutar um exército imperial ainda maior. Com sua família retida por Alexandre, Dario foi dissuadido de tentar um contra-ataque imediato. Enquanto os aliados da Pérsia confiaram que o rei persa ia revidar imediatamente. A cidade de Tiro suportou por quase um ano o assédio de Alexandre sendo posteriormente arrasada. Os judeus ainda que declarassem sua lealdade ao Grande Rei, reconheceram em Alexandre o rei predito pelo profeta Daniel que derrotaria o Império Persa. Abaixo, ilustração do assédio marítimo de Tiro pela frota macedônica.Nesse ínterim, Dario iniciou as negociações para um acordo. Após trocas de acusações entre os dois monarcas, Dario, ciente do poder greco-macedônico, fez concessões inconcebíveis para seus antecessores. Foi oferecida a cessão de grandes territórios no Ocidente e o reconhecimento de Alexandre como um igual. Além disso, Dario ofereceu um grande resgate para a família e uma aliança de casamento para selar o acordo. Mas, Alexandre rejeitou o acordo. Logo que a paz fosse selada e os reféns libertados, ele teria que voltar para casa deixando guarnições para proteger uma longa fronteira; Dario estaria, então, livre para atacar em um momento oportuno. Alexandre rejeitou todos os termos e exigiu que Dario lhe prestasse homenagem como seu superior. Desde a vitória em Isso, o conquistador macedônio usava o título de Grande Rei. Dario, portanto, não tinha escolha a não ser lutar.

REFERÊNCIAS
http://www.iranica.com/newsite/
http://en.wikipedia.org/wiki/Dario_III_of_Persia
http://cais-soas.com
http://www.livius.org/da-dd/darius/darius_iii_codomannus.html

segunda-feira, 8 de março de 2010

ARTAXERXES IV (338 - 336 a.C.)

Arses era o filho mais novo do rei Artaxerxes III e da rainha Atossa e não era esperado que subisse ao trono da Pérsia. Arses é uma tradução grega de um nome antigo persa. A forma iraniana é atestada no Avesta como Arshan-(etimologicamente relacionado a arsen, que em grego indica "macho, viril") e no persa antigo é preservado em Arshaka e Arshāma. O reinado de Artaxerxes IV Arses foi curto, mas importante, porque as sementes para a queda definitiva do Império da Pérsia foram nela lançadas. Abaixo, detalhe do pórtico da Estrada do Exérctio construída pelo pai de Arses, Artaxerxes III.

Sua ascensão inesperada ao trono veio em 338, como resultado da morte (assassinato?) de seu pai e da maioria de seus familiares por Bagoas, eunuco, porém o mais poderoso ministro da Corte, que tinha caído recentemente no desfavor de Artaxerxes III. Bagoas tentou permanecer no cargo (hazarapatiš, quiliarca, que era o de primeiro mandatário do Império Persa abaixo do Rei) substituindo Artaxerxes por seu filho Arses, a quem ele achava mais fácil de controlar. Há evidências suficientes que atestam que nem todos da família real pereceram como afirma o historiador Diodoro Sículo e possivelmente os que morreram para assegurar a ascensão de Arses foram mortos por ordem (ou consentimento) dele mesmo. Abaixo, placa de faiança azul encontrada na Sala das 32 Colunas no palácio de Artaxerxes III. A imagem, possivelmente militar, retrata o estandarte do Império Persa.Arses adotou o nome real de Artaxerxes (Artaxšacā), nome de seu pai e de seu avô, como indicam evidências de Xantos e de Samaria sendo conhecido na literatura em geral como Artaxerxes IV Arses, rei da Pérsia entre 338 e 336 a.C. Sua ascensão coincide com a ascensão do rei Felipe II da Macedônia que há poucos meses acabava de impor sua hegemonia sobre a Grécia após a batalha de Queronéia, 338 a.C. Arses permaneceu pouco mais que um fantoche durante os dois anos de seu reinado, enquanto Bagoas agia como o real poder por trás do trono. A morte de Artaxerxes III causou grandes transtornos no Império Aquemênida e é certo que Bagoas e Artaxerxes IV tinham uma ideia clara da situação. Pelo menos duas satrápias revoltaram-se: Khabash se autoproclamou faraó no Egito, que tinha sido recentemente conquistado por Artaxerxes III e Nidin-Bel na Babilônia (embora a evidência para a insurreição de Nidin-Bel seja escassa). Abaixo, a tablete conhecido como Lista de Reis de Uruk, a qual menciona Nidin-Bel.
Ao mesmo tempo, Felipe II começou para exigir compensações da Pérsia por causa da ajuda dada por Artaxerxes III Oco para a cidade de Perinto, que Felipe tentara conquistar. Artaxerxes IV Arses recusou tal compensação. Então Felipe II preparou um ataque às possessões da Pérsia onde hoje é a Turquia. Parmenion, seu general de confiança, cruzou o Helesponto com 10.000 soldados na primavera de 336, e várias cidades gregas passaram-se para o lado dos invasores. Sob essas circunstâncias, a nobreza persa encontrava-se dividida. O príncipe Artashata, primo de Artaxerxes IV, neto de Artaxerxes II e sátrapa da Armênia, destacava-se como liderança alternativa. Ele era um homem forte e um guerreiro formidável e recebeu apoio de vários nobres (por exemplo, Farnabazo). Abaixo, o Portal Inacabado obra iniciada por Artaxerxes III e continuada por Artaxerxes IV.Enquanto isso, Arses não mais aceitou o domínio que Bagoas impunha-lhe. Após uma tentativa frustrada de envenenar o eunuco, ele próprio foi envenenado, e todos os seus filhos foram postos à morte. Diodoro diz que Arses (Artaxerxes IV) queria remover Bagoas e que este foi forçado a matar o rei no verão de 336 e colocar no seu lugar a Codomano (Artashata). O texto cuneiforme conhecido como a Profecia Dinástica sugere, no entanto, que Artashata marchou sobre Persépolis e tomou o trono. O que quer que tenha ter acontecido, Artashata agora tornou-se rei sob o nome de Dario (III). Há uma fonte danificada (fragmento de um texto cuneiforme) que sugere que Artaxerxes IV decidiu restaurar na Babilônia os templos Esagila e Etemenank, mas o projeto foi executado por Alexandre, o Grande.

REFERÊNCIAS
http://www.iranica.com/newsite/
http://en.wikipedia.org/wiki/Arses_of_Persia
http://es.wikipedia.org/wiki/Arsés
http://www.livius.org/arl-arz/artaxerxes/artaxerxes_iv.html

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

ARTAXERXES III (358 - 338 a.C.)


Moeda com a efígie
de Artaxerxes III
Artaxerxes III (c. 425 – 338 a.C.) foi o décimo rei aquemênida do Império Persa. Oco (do babilônico Ú-ma-kuš ) era o seu nome de antes de subir ao trono sendo geralmente referido como Artaxerxes III Oco, mas no Irã ele é conhecido como Ardeshir III. Em inscrições babilônicas ele é chamado de "Umasu, que é chamado Artakshatsu". Seu governo foi uma tentativa contínua e brutal da manutenção do Império Aquemênida. Oco era o terceiro filho de Artaxerxes II Mnemon com Estatira. Antes de subir ao trono tinha sido um sátrapa e comandante do exército de seu pai ajudando a sufocar a Revolta dos Sátrapas (367-362). Em 359, pouco antes de subir ao trono, ele atacou o Egito, que estava em rebelião sob o faraó Tacos, como uma reação a ataques alarmantes, mas sem muito êxito, do Egito às regiões costeiras da Fenícia. Artaxerxes se casou com sua sobrinha, a filha de Oxathres, irmão do futuro rei Dario III. Seus filhos foram Arses, o futuro rei da Pérsia, Bisthanes e Parysatis, que casou-se futuramente com Alexandre Magno. Abaixo, o Império Persa no início do governo de Artaxerxes III. A região em cinza mostra o Egito que nessa época era independente.
Dario, filho mais velho e herdeiro de Artaxerxes II, entrou numa conspiração para assassinar seu pai, mas o plano foi descoberto pelo rei. A corte sentenciou Dario à morte e a posição do herdeiro do trono foi para Ariaspes, um príncipe tranquilo e popular. No entanto, outros conspiradores, entre os quais Oco, terceiro filho do rei, e um dos comandantes da guarda real chamado Tiribazo, convenceram a Ariaspes de que o rei suspeitava que ele era um traidor, o que levou o príncipe ao suicídio. As esperanças do velho rei voltaram-se para o seu quarto filho, Arsames, que também foi assassinado. Em 358, Artaxerxes II morreu com a idade de 94, aparentemente de causas naturais e Oco o sucedeu. Polieno (7,17) afirma que ele ocultou a morte do pai durante 10 meses, de modo que o seu reinado oficial só pode ter começado em 358-57. Ao tornar-se rei, Oco adotou o nome de Artaxerxes e executou seus irmãos, irmãs e outros possíveis rivais (Justino 10.3.1, cf. Cúrcio Rufo, 10.5.23, afirma que 80 irmãos foram assassinados em um só dia).
Arquivo: Artaxerxes III da Persia.jpg
Artaxerxes III Oco
Em 355, Artaxerxes força Atenas a concluir uma paz que exige que a cidade deixasse de interferir na Ásia Menor e de reconhecer a independência de seus aliados rebeldes. Na mesma época Artaxerxes levantou uma campanha contra os cadusianos rebeldes, povo do noroeste do Irã, conseguindo apaziguar os reis desse povo. Um personagem de sucesso emergente desta campanha foi Dario Codomano, que mais tarde ocupou o trono persa como Dario III.Para manter o poder do governo central, Artaxerxes III ordenou a dissolução de todos os exércitos de mercenários dos sátrapas da Ásia Menor, pois sentia que a paz já não poderia garantir-se no ocidente do Império enquanto os sátrapas ocidentais fossem equipados com meios de revolta. Muitos mercenários gregos retornaram a Atenas e a Esparta. A ordem foi, porém, ignorada pelo sátrapa Artabazo da Lídia que pediu a ajuda de Atenas em uma rebelião contra o rei. Atenas enviou a assistência a Sardes. O sátrapa Orontes da Mísia também auxiliou a Artabazo e suas forças conseguiram derrotar as forças enviadas por Artaxerxes em 354 a.C. No entanto, em 353, eles foram derrotados pelo exército de Artaxerxes. Orontes foi perdoado pelo rei, enquanto Artabazo fugiu para a corte do rei Felipe II da Macedônia. abaixo, moeda retratanto Artaxerxes III em uma carruagem.Em cerca de 351, Artaxerxes III iniciou uma campanha para recuperar o Egito, que tinha se libertado do Império desde os dias de seu pai, Artaxerxes II. Ao mesmo tempo, uma revolta eclodiu na Ásia Menor, que, sendo apoiada pela cidade grega de Tebas, ameaçava tornar-se grave. Conduzindo um vasto exército, Artaxerxes marchou para o Egito que encontrava-se sob a liderança de Nectanebo II. Após um ano de luta contra o Faraó do Egito, o qual era auxiliado pelos serviços dos generais grego Diofanto e Lamio, os persas sofreram uma derrota esmagadora. Artaxerxes foi obrigado a recuar e adiar a sua campanha egípcia. Abaixo, representação do faraó Nectanebo II.Logo após esta derrota, os líderes da Fenícia, da Ásia Menor e de Chipre, declararam sua independência. Em 343, Artaxerxes comissionou a repressão dos rebeldes cipriotas ao sátrapa Idrieu da Cária, que se utilizou de 8.000 mercenários gregos e quarenta trirremes, comandados pelo ateniense Fócion e Evagoras, filho de Evagoras, o Velho, o antigo monarca cipriota. Com tais recursos, Idrieu conseguiu subjugar Chipre. Artaxerxes deu início a uma contra-ofensiva contra Sidon delegando a Belesys, sátrapa da Síria, e a Mazeu, sátrapa da Cilícia, invadirem a cidade e para manter os fenícios sob controle. Ambos sofreram derrotas nas mãos de Tennes, o rei revoltado de Sidon, que foi auxiliado por 40.000 mercenários gregos enviados por Nectanebo II e comandados por Mentor de Rodes; as forças persas acabaram por ser expulsas da Fenícia.Abaixo, moeda cunhada sob Mazeu, sátrapa das Cilícia.Depois disso, Artaxerxes atacou a Sidon conduzindo pessoalmente cerca de 330.000 homens, incluindo 300.000 soldados de infantaria, 30.000 cavaleiros, 300 trirremes, e 500 navios de transporte ou de provisões. Após reunir esse exército, Artaxerxes dirigiu seus esforços para a obtenção de uma assistência eficaz dos gregos. Embora recusasse a ajuda de Atenas e Esparta, conseguiu obter o suporte de mil hoplitas tebanos armados sob o comando de Lacrates, três mil argivos sob Nicostrato, e seis mil eólios, jônios e dórios das cidades gregas da Ásia Menor. A assistência mercenária grega, portanto, era numericamente pequena em relação ao exército oficial, o que lhe dava vantagem na hipótese de deserção dos mercenários, cujo o número foi aumentado pelos mercenários gregos vindos do Egito, que passaram para o lado persa posteriormente, grupo em que Artaxerxes colocou sua confiança e ao qual o sucesso da expedição se devia principalmente. A investida pesada de Artaxerxes abalou a resolução do rei sidonita Tennes, que tentou comprar o seu próprio perdão, através da entrega de uma centena dos principais cidadãos de Sidon nas mãos do rei persa, e em seguida, admitiu-o dentro das defesas da cidade. Artaxerxes ordenou que os cidadãos fossem alvejados por dardos; mais 500 saíram da cidade suplicantes para implorar sua misericórdia, mas o Grande Rei deu-lhes o mesmo destino do grupo anterior. A cidade de Sidon foi então queimada até o chão, seja por Artaxerxes ou pelos cidadãos desesperados de Sidon(Diodoro 16.43.1-45.6; Pompeio Trogo, Prólogo 10; Orósio 3.7.8; Georgius Syncellus 1.486.16 D.). Quarenta mil pessoas morreram no incêndio. Abaixo, tablete babilônico contendo o registro da tomada de sidon por Artaxerxes III.Artaxerxes vendeu as ruínas de um preço elevado para os especuladores, que calcularam em reembolsarem-se com os tesouros que eles pudessem achar entre as cinzas. Tennes mais tarde foi condenado à morte por Artaxerxes. Outras cidades da Fenícia e da Palestina, então, submeteram-se.Posteriormente, o rei persa enviou os judeus que apoiaram a revolta de Sidon para a Hircânia, na costa sul do Mar Cáspio. As expedições dos generais Bagoas e Orofernes e as deportações de judeus, ordenada por Artaxerxes (Syncellus 1.486.10ff. D.) podem ser combinadas com os eventos registrados no livro judaico (apócrifo) de  Judite. A subjugação de Sidon foi logo seguida pela invasão do Egito. Em 343, Artaxerxes, além de seus 330.000 nativos dos povos do Império Persa, agora tinha uma força de 14.000 gregos fornecidos pelas cidades gregas da Ásia Menor, 4.000 sob a liderança de Mentor de Rodes, que consistia nas tropas enviadas do Egito pelo faraó Nectanebo II para o auxílio de Tennes de Sidon; 3.000 enviados por Argos e 1000 por Tebas. Ele dividiu seu numeroso exército em três grupos e colocou na liderança de cada um persa e um grego. Abaixo, representação de um guerreiro persa.Os comandantes gregos foram Lacrates de Tebas, Mentor de Rodes e Nicostrato de Argos e os persas foram Rossaces, Aristazanes e Bagoas, o chefe dos eunucos. Nectanebo II resistiu com um exército de 100.000 homens dos quais 20.000 eram mercenários gregos. Nectanebo II ocupou o delta do Nilo e seus vários afluentes, com uma marinha numerosa. O caráter do país, cortado por inúmeros canais, e cheio de cidades fortificadas, estava a seu favor e ele ainda poderia ter esperado para fazer uma prolongada, se não mesmo uma bem-sucedida, resistência, mas o Faraó carecia de bons generais e líderes militares que lhe garantissem a vitória. Os egípcios foram derrotados em Pelúsio e Bubastis no delta.
Reconstituição de um carro de guerra com arqueiro
do período aquemênida
Após sua derrota, Nectanebo fugiu às pressas para Mênfis, deixando as cidades fortificadas para a defesa de suas guarnições. Estas consistiam de tropas mistas, em parte gregas em parte egípcias, entre os quais ciúmes e suspeitas foram semeadas com facilidade pelos líderes persas. Com isso, o persas rapidamente conquistaram as cidades secundárias do Baixo Egito e foram avançando para Mênfis. Nectanebo saiu do país e fugiu para a cidade de Napata, ao sul da Núbia, de onde nada mais se sabe sobre seu destino final. O exército persa derrotou completamente os egípcios e ocupou o baixo delta do Nilo. Após Nectanebo fugir para a Núbia todo o Egito foi submetido a Artaxerxes e os judeus no Egito, foram enviados à costa sul do Mar Cáspio, onde os judeus outrora foram enviados da Fenícia e Babilônia. Egípcios também foram deportados para a Pérsia.
Componentes da cavalaria aquemênida
Após esta vitória, Artaxerxes destruiu as muralhas das cidades e iniciou um reinado de terror, pilhando todos os templos. O Império Aquemênida ganhou uma quantidade significativa de riquezas a partir destas pilhagens. Além do saque imediato, Artaxerxes aumentou os impostos elevadamente e tentou enfraquecer Egito suficiente para que o país nunca mais se revoltasse contra a Pérsia. Pelos 10 anos seguintes que a Pérsia controlaria o Egito, a religião foi perseguida e os livros sagrados foram roubados. Antes de voltar para a Pérsia, Artaxerxes III nomeou Ferendares como sátrapa do Egito. Várias moedas de prata foram encontradas no Egito com a inscrição: "Artaxerxes Faraó. Vida, Prosperidade e Riqueza". Mas, o rei persa foi muito odiado pelos egípcios. Com o saque, Artaxerxes amplamente recompensou seus mercenários e então retornou a seu capital com a glória de ter realizado com sucesso a subjugação do Egito que permaneceu como parte do Império Persa até a conquista de Alexandre, o Grande. Abaixo, representação egípcia de Artaxerxes III.Artaxerxes passou os próximos anos efetivamente sufocando insurreições em diversas partes do Império após a conquista do Egito, mas o Império Persa foi firmemente controlado pelo Grande Rei. Mentor e Bagoas, os dois generais que mais se distinguiram na campanha do Egito, foram alçados para cargos da maior importância. Mentor, que foi governador de todo o litoral asiático, esforçou-se com sucesso para submeter muitos chefes que durante os recentes problemas políticos assumiram uma postura independente do governo persa, e no decurso de poucos anos, trouxe toda a costa em completa submissão ao Grande Rei. Bagoas, o eunuco, foi trazido de volta à capital com Artaxerxes e se tornou a figura principal na administração interna, sendo uma espécie de “arquisátrapa” ou vizir. Bagoas tornou-se de grande confiança do rei e exercia funções de vizir ou primeiro ministro. Nos últimos seis anos do reinado de Artaxerxes, o Império Persa foi governado por um governo forte e bem sucedido. ilustração representando guarda persa em Persépolis.As forças persas na Jônia e na Lícia recuperaram seu controle sobre o mar Egeu e no mar Mediterrâneo e tomaram grande parte do domínio insular de Atenas. Isócrates de Atenas, começou seu discurso conclamando uma "cruzada contra os bárbaros", mas não houve força suficiente em qualquer das cidades-estados gregas para responder a seu apelo. Em 341, Artaxerxes retornou a Babilônia, onde aparentemente começou a construir uma grande apadana. Embora não houvesse rebeliões no Império Persa em si, o crescente poder e expansão territorial do rei Felipe II na Macedônia atraiu a consideração de Artaxerxes e ordenou que a influência persa fosse usada para verificar e reprimir o reino ascendente. Em 340, uma força persa foi, portanto, expedida para auxiliar o príncipe trácio, Cersobleptes, para manter a sua independência dos macedônios e os persas ajudaram eficazmente à cidade de Perinto contra o exército numeroso e bem equipado de Felipe que tinha iniciado um cerco, mas com isso foi obrigado a desistir da tentativa. No último ano do governo de Artaxerxes, Felipe II já tinha planos para a invasão do Império Persa, mas os gregos não se uniram a ele.
A Estrada do Exército
Sala das 32 Colunas
Por seus próprios esforços e com a ajuda de generais gregos como Mentor de Rodes e Fócio de Atenas, Artaxerxes reviveu em o antigo império de Dario, à exceção da submissão da Macedônia. A ordem do estado foi restaurada, reorganizado o seu aparelho e o poder central fortalecido. Artaxerxes era enérgico e irrequieto, astuto e forte de espírito. Ele é chamado de cruel e violento (Diodoro 17.5.3; Plutarco, Artoxerxes 26,1), mas também um juiz justo (Diodoro 16.49.6). Ele cultuava principalmente a Ahuramazda e Mitra, mas ergueu estátuas de da deusa Anahita. Um símbolo de reavivamento da glória aquemênida sob Artaxerxes III foi a renovação de Persépolis. O rei ergueu um palácio na parte sudoeste do terraço, como é comprovado pela sua inscrição A3Pa em uma escada. Destacam-se o Portal Inacabado, a Sala das 32 Colunas e a Rota do Exército  cujas ruínas são visíveis em Persépolis.
O Portal Inacabado

Em 338 a.C., entre 26 de agosto e 25 de setembro, Artaxerxes III Oco morreu. Segundo Diodoro Sículo, o rei Artaxerxes oprimia seus súditos de forma cruel e áspera, sendo esta a razão por que Bagoas, o poderoso ministro real, procedeu ao envenenamento do Rei e de toda a família real. Deve-se notar, no entanto, que existe uma tábua cuneiforme no Museu Britânico (BM 71537) que afirma que o rei Artaxerxes morreu de causas naturais. Outro fato que contradiz Diodoro é que várias pessoas que teriam, como ele afirma, sido assassinadas, estão vivas durante o reinado de Alexandre, o Grande (por exemplo, Parisatis, filha de Artaxerxes III). De qualquer forma, Bagoas continuou como o ministro mais poderoso do Império influenciado seus rumos. Artaxerxes III foi sucedido por seu filho Arses (Artaxerxes IV). Abaixo, tumba de Artaxerxes III Oco em Naqš-i Rustam, Irã.

REFERÊNCIAS
http://www.iranica.com/newsite/
http://en.wikipedia.org/wiki/Artaxerxes_III
http://lexicorient.com/e.o/artaxerxes3.htm
http://www.livius.org/arl-arz/artaxerxes/artaxerxes_iii_ochus.html
http://www.cais-soas.com
http://iranpoliticsclub.net/photos/U04-Achaemenian3/images/Imperial%20Achaemenian%202%20Horse%20Archer%20War%20Chariot.jpg
http://iranpoliticsclub.net/photos/U04-Achaemenian3/images/Achaemenian%20Cavalry%20Attendants,%20Officer,%20Cavalryman,%20Saka%20Archer%205%20BC.jpg

sábado, 20 de fevereiro de 2010

ARTAXERXES II (404 - 358 a.C.)

Artaxerxes II, cujo nome pessoal é dado como Arsaces (Ctesias F 14 apud Fócio 469,28) ou Arsicas (Ctesias F 15a, apud Plutarco, Artoxerxes 1,4, etc) ou como Oarsēs (vindo do grego ho Arses?) por Dino (F 14, apud Plutarco, op cit..). Ele era o filho mais velho de Dario II e Parisatis, assim, um neto de Artaxerxes I. A dinastia arsácida da Pártia afirmava derivar sua linhagem de Arsaces / Artaxerxes II, de acordo com Georgius Syncellus (1.539.16f. D.). O seu reinado foi o mais longo dos Aquemênidas. Autores gregos, começando com Plutarco, dão-lhe o epíteto de Mnemon "aquele que recorda, que tem uma boa memória", pois parece ter tido uma memória excepcional. Abaixo, dárico do tempo de Artaxerxes II com a efígie estereotipada dos reis persas.

Artaxerxes II nasceu antes da ascensão de seu pai, ca. 453 ou 445 (se o seu tempo de vida é tomado como 86 ou 94 anos, segundo as fontes clássicas). Ele tinha uma irmã mais velha, Amestris, e irmãos mais novos, Ciro, Ostanes (Ctesias chama-o Artostes), Oxathres (Ctesias: Oxendras) e outros (Ctesias F 15, par. 51; Artoxerxes 1,2, 5,5). Ele era casado com a Estatira, filha de Hidernes (Ctesias F 15, par. 55; Artoxerxes 5,6). Com Estatira teve os filhos Dario, Artaxerxes III Oco, Ariaspes e filhas Apama (casada com Farnabazo), Rodogine (casada com Orontes), Amestris e Atossa. De segunda esposa, cujo nome não é conhecido, teve um filho: Arsames. Diz-se que Artaxerxes tinha 360 concubinas e com elas teve115 filhos. Dario foi feito co-regente (e assim reconhecido como aparente sucessor) com a idade de 50, mas posteriormente foi executado por conspiração. Artaxerxes II realizou algumas obras em Ecbátana e em Susa. Abaixo, inscrição em diorita negra na qual Artaxerxes II declara suas ascendência real e pede ajuda não somente ao deus supremo dos persas, Ahura Mazda, mas também a Anahita e Mitra. Em seu longo e conturbado reinado, o Grande Rei se valeu de suas crenças para permanecer no trono.

Plutarco elogia Artaxerxes como justo, brando e afável (cf. Diodoro 15.93.1, Cornélio Nepos, De regibus 1,4). No entanto, ele parece ter sido efeminado, enervado, e facilmente influenciável, fraco, mas também cruel e desconfiado, sucumbido em intrigas de harém. Vigor foi exibido apenas no momento de necessidade; estava atrasado em decidir-se a lutar uma batalha decisiva com Ciro, seu irmão rebelde, mas depois ele participou pessoalmente da luta (Anabasis 1.7.9, 17; 1.8.22ff.; Artoxerxes 7-13). O vigor interno da administração do Império foi enfraquecido por sua ineficiência, e se muitos dos seus problemas tiveram uma solução favorável, foi devido a homens capazes em torno dele como Tisafernes, Farnabazo, Autofradates e, não menos importante, Oco, seu filho, futuro Artaxerxes III. Particularmente forte na corte era a influência de Parisatis, sua mãe que, no entanto, gostava mais de seu filho mais novo, Ciro (Anabasis 1.1.4, Artoxerxes 2,3). Sua esposa, Estatira, filha do nobre persa Hidarnes, também exercia forte influência sobre o rei e rivalizava com Parisatis em influência. Parisatis finalmente conseguiu o envenenamento Estatira (c. 400 a.C.) e foi removida de Susa para a Babilônia, mas ela logo recuperou sua influência sobre o Rei (Ctesias F 27, par. 70; Artoxerxes 19, 23.1-2). Abaixo, traslado da inscrição de um tablete de ouro de Ecbátana onde Artaxerxes II menciona sua linhagem real e pede proteção ao deus Ahura Mazda.

Seu reinado foi um dos mais conturbados do Império Aquemênida marcado pela perda do Egito e por várias revoltas. Quando Dario II morreu em 404 a.C., Artaxerxes foi nomeado rei em conformidade com o desejo de seu pai, embora tivesse nascido antes de Dario II se tornar rei. Parisatis, no entanto, favorecia a Ciro, que havia nascido quando Dario já era rei e assim teria sido o sucessor legítimo (Xenofonte, Anabasis 1.1.3; Diodoro 13.108.1; Artoxerxes 2,4-5; Justino 5.11.1-2), conforme sucedeu com Xerxes I. Os antigos gregos chamavam de "Ciro, o Jovem" (ho neoterós ou deuterocanonicós) para distingui-lo de Ciro, o Grande. Abaixo, palácio de Artaxerxes II em Susa.

Ciro, o Jovem, tinha apenas quinze ou dezesseis anos de idade quando sua mãe conseguiu que ele fosse nomeado sátrapa da Lídia, Grande Frígia e Capadócia (Xenofonte, Anabasis 1.9.7) sucedendo ao sátrapa Tisafernes como comandante-em-chefe (káranos em grego) das tropas estacionadas na planície de Castolo, a leste de Sardes (Xenofonte, Anabasis 1.1.2, 1.9.7, cf. idem, Helênica 1.4.3) tendo assim um poderio muito grande a sua disposição como governador civil e comandante militar supremo da Ásia Menor persa. Isto deve ter ocorrido em 408 ou 407. A partir do momento de sua chegada no Ocidente, Ciro prosseguiu a política de seu pai de assistência a Esparta em sua luta contra Atenas inclusive dando seu apoio financeiro para a construção naval espartana (cf. Tucídides, 2.65.12). Em particular, o almirante espartano Lisandro se tornou seu amigo e, devido à influência de Ciro, Lisandro foi favorecido na sociedade espartana. Em Lisandro Ciro encontrou um homem disposto a ajudá-lo; uma vez que o próprio Lisandro esperava tornar-se governante absoluto da Grécia, com a ajuda do príncipe persa. Ciro colocou então todos os seus meios à disposição de Lisandro na guerra do Peloponeso, mas negou-os ao seu sucessor Calicrátidas. Abaixo, base de uma coluna do palácio de Artaxerxes II em Susa com inscrição referindo-se ao Grande Rei e sua ascedência real.Quando Dario adoeceu e chamou o seu filho ao seu leito de morte, Ciro cedeu todos os seus tesouros a Lisandro e partiu para Susa. Quando da ascensão de Artaxerxes II em 404 a.C., Ciro, que era sátrapa das províncias ocidentais da Ásia Menor (Frígia, Lídia e Capadócia), foi acusado de conspirar contra o seu irmão na cerimônia de coroação, em Pasárgada, por Tisafernes, sátrapa da Cária, que denunciou os planos de Ciro contra o seu irmão(Ctesias F 16, par. 59; Artoxerxes 3,1-6; Justino 5,11. 3-4). Abaixo, testemunho da dominação persa na Frígia: relevo de sacerdotes zoroastrianosem Dascílio (atual Ergili na Turquia).
Nesse mesmo ano (404), Lisandro venceu a batalha de Egospótamos e Esparta tornou-se mais poderosa no mundo grego. Na primavera de 401 a.C., Ciro começou a recrutar um numero exército de mercenários gregos, dizendo que queria atacar os pisídios, uma tribo dos Montes Tauros, que nunca se submetera pacificamente ao Império. Ciro procurou apoio político, o qual encontrou em vários lugares. Esparta arregimentou voluntários autorizados a participar da expedição e Sienesis III, rei da Cilícia que era vassalo persa, contribuiu com dinheiro. Abaixo, guerreiros espartanos (cena do filme Os 300 de Esparta).

Ciro, com um contingente de 30.000 homens (14.000 mil gregos), avançou desde Sardes até a Cilícia, mas os mercenários se revoltaram. Eles estavam começando a suspeitar que o verdadeiro objetivo da campanha era a Pérsia, não a Pisídia. No entanto, Ciro os convenceu de que ele precisava de sua ajuda para uma guerra contra o seu inimigo pessoal o sátrapa Abrocomas, o qual realmente já vinha se preparando contra Ciro, mas não conseguiu deter o avanço do exército de Ciro através da chamada Porta da Síria que abria o caminho pelos Montes Tauros para a Mesopotâmia. Uma frota espartana de 35 trirremes enviada à Cilícia abriu a passagem para a Síria e trouxe-lhe um destacamento espartano de 700 homens sob as ordens de Querisófo. Em Tapsaco, Ciro revelou seu real objetivo: destronar seu irmão e assumir o controle do Império Persa. Através de uma gestão habilidosa e grandes promessas ultrapassou os escrúpulos das tropas gregas contra a duração e o perigo da guerra; com o pagamento dos soldados já levantado, o exército continuou a sua marcha. Ciro avançou pela Babilônia antes de encontrar o inimigo. Tisafernes, que governava a Cária, observando que o exército era grande demais para o propósito declarado, entendeu o verdadeiro objetivo da expedição e havia informado a Artaxerxes, que iniciou a sua própria preparação: o rei reuniu um exército de 60000 mil homens. Abaixo: a Batalha de Cunaxa.
No confronto, conhecido como Batalha de Cunaxa, região onde se deu o embate, Ciro, chegou a ferir a Artaxerxes com sua lança. Segundo Plutarco, no entanto, Ciro foi ferido nas têmporas por um jovem persa chamado Mitrídades e caiu do cavalo. Carregado, foi agredido em seu próprio acampamento por um cariano que o julgara como sendo o inimigo e morreu ao cair e bater com a cabeça em uma pedra. A morte de Ciro foi atribuída a Artaxerxes. Dos gregos, 10.000 tentaram o retorno para a Grécia, evento relatado por Xenofonte em sua célebre Anabasis, mas só 6000 conseguiram. Abaixo, itinerário de Ciro, o Jovem, e seu exército de Sardes a Cunaxa e o curso do retorno dos 10.000 gregos de Cunaxa até Bizâncio.
Não era incomum no Império Aquemênida que, no momento da sucessão de um rei para outro, as nações sujeitas se revoltassem. Amirteu de Sais era o líder de uma revolta egípcia quando da morte de Dario II e a ascensão de Artaxerxes II. Seu avô, também chamado Amirteu, tinha sido o líder de uma rebelião anterior, (463-461), mas Pausiris seu pai tinha chegado a um acordo com os persas e serviu ao Rei Artaxerxes I Longímano com distinção. Amirteu iniciou a revolta em c. 411 a.C. sob Dario II liderando um confronto de guerrilhas na parte ocidental do delta do Nilo, em torno da cidade de Sais (ruínas na imagem abaixo). Após a morte de Dario II declarou-se faraó, o único da XXVIII dinastia (404 a.C.). 

Segundo Isócrates, Artaxerxes II, logo após a ascensão, reuniu um exército na Fenícia liderado por Abrocomes para reconquistar o país rebelde, mas a revolta de Ciro, o Jovem, o impediu de continuar. Embora no delta Amirteu fosse reconhecido como um faraó, no Alto Egito, Artaxerxes II ainda era considerado o rei. Os persas ainda governarão o Alto Egito pelo menos até 400 ou 398. Após 121 anos de dominação aquemênida, os egípcios voltavam a sonhar com sua independência. Mas, o reino de Amirteu não estava seguro. Tucídides diz Amirteu se aliou ao rei dos árabes para evitar um ataque vindo da Fenícia. Amirteu parece ter celebrado uma aliança com Esparta: os gregos iriam invadir a Ásia e o Egito os mandaria grãos. Desta forma, a força do exército persa seria empregada na Ásia e o Egito seria deixado de lado. Diodoro Sículo diz que um almirante egípcio, Tamos, que era sátrapa da Cilícia, durante o reinado de Ciro, o Jovem, fugiu para o Egito em 400 junto com seu filho e a frota e todos os tesouros que carregou. Por fim, Amirteu foi derrotado por Neferites I de Mendes seu sucessor e executado logo após em Mênfis em 399 a.C. Abaixo, trirremes espartanos em batalha naval.

Em 396, os espartanos, que haviam se aliado com Ciro, resolveram aproveitar a aparente debilidade do Império e invadiram a Ásia Menor sob a liderança do Rei Agesilau e dos generais Tibro e Dercílidas. Foram combatidos pelos sátrapas Tisafernes e Farnabazo. Para derrotar os espartanos, Artaxerxes subornou Atenas, Tebas e Corinto, cidades que se levantaram contra Esparta, iniciando a Guerra de Corinto. Tisafernes foi derrotado por Agesilau e executado pelo sátrapa que o substituiu por instigação da rainha-mãe Parisatis. Por alguns anos a sorte da guerra vacilou, mas em agosto de 394 Conon de Atenas, almirante da frota persa, ganhou uma vitória decisiva em Cnido (Xenofonte, Hellenica 4.3.10-12; Deodoro 14. -83.5-7; Cornelius Nepos, Conon). Abaixo, moeda com a efígie do general persa Farnabazo, genro de Artaxerxes II.
Mas a guerra continuou. Em 386 Artaxerxes II, abandonando os seus aliados, fez um pacto com o Esparta chamado de Paz do Rei ou Paz de Antalcidas, embaixador espartano. Esse tratado restabeleceu o controle persa sobre Chipre, Clamonenas e as cidades gregas da Jônia e Eólia na costa da Anatólia (exceto as possessões atenienses) deixando Esparta como potência dominante na Grécia continental. Assim foi garantido o poder persa na Ásia Menor e a influência persa na própria Grécia. A principal tarefa do reinado Artaxerxes II Mnemon foi a manutenção das fronteiras do Império. O Egito desde 404 iniciara seu processo de independência e tem Acoris de Mendes como faraó. Abaixo, esfinge do Faraó Acoris no Museu do Louvre.


A campanha da Pérsia (389-87) liderada por Farnabazo e Titraustes falhou e em 380-79, o rei começou a planejar uma nova expedição usando mercenários gregos. Enquanto isso, os persas subjugam o rei Euagoras de Salamina em Chipre e reprimem rebeldes na Jônia, Paflagônia e em outros lugares. O ataque ao Egito foi realizado em 374-73, sendo o faraó Nectanebo I, mas não conseguiu êxito devido ao desacordo entre os líderes Farnabazo e Ifícrates de Atenas.Em fins da década de 370, não teve êxito a campanha contra os cadúsios que o próprio rei  liderou. A ameaça interna voltou a surgir no Império Aquemênida: é a Revolta dos Sátrapas. O indicativo do desejo de independência desses sátrapas é o fato de cunharem moedas com suas efígies e não com a do Grande Rei. Em 370, o sátrapa da Capadócia, Datames, célebre militar, cai em desgraça diante de Artaxerxes II por força de intrigas palacianas. Revoltado, Datames rejeita a soberania do Grande Rei e passa a governar a Capadócia sozinho. Abaixo, estátua de Mausolo, sátrapa da Cária, famoso pelo seu mausoléu.


Em seguida (367) vários sátrapas se revoltam aliados ao Faraó Tacos do Egito: Ariobarzanes na Frígia Helespontina; Mausolo na Cária, Orontes da Armênia e Autofradates da Lídia. Datames se junta a eles, mas é assassinado em 362. A revolta inteira foi suprimida, mas alguns dos sátrapas foram perdoados e autorizados a regressar às suas satrápias. Em março de 358 morre Artaxerxes II Mnemon, após um longo e conturbado reinado, deixando a seu sucessor Artaxerxes III um grande e poderoso, mas combalido, Império Persa. Abaixo, tumba de Artaxerxes II Mnemon em Persépolis.

REFERÊNCIAS
http://es.wikipedia.org/wiki/Artajerjes_II
http://www.livius.org/am-ao/amyrtaeus/amyrtaeus.html
http://www.livius.org/arl-arz/artaxerxes/artaxerxes_ii_mnemon.html
http://www.livius.org/ct-cz/cyrus_ii/cyrus_ii.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ciro,_o_Jovem
http://www.iranica.com/newsite/
http://www.cais-soas.com/CAIS/Images2/Achaemenid/Dascylium/Zoroastrian_priests_Dasc.jpg